segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Missões restaurando o velho modelo - Parte II (Final)

O fato de que, ao longo da história da igreja, a maior parte do avanço missionário ter sido fruto do esforço isolado de alguns homens, pode ter contribuído para se criar a idéia de que é necessário um “chamado especial”. Este entendimento tem produzido três erros graves:

  1. A igreja não se move. Ao invés de planejar o envio de obreiros fica esperando que alguém receba um “chamado” para ir aos povos não alcançados;
  2. Qualquer um que diz ter um “chamado”, passa a ser um candidato a missionário / apóstolo sem se levar muito em conta suas qualificações para o ministério. Se ele goza de um bom testemunho e tem um “chamado”, já pode ser enviado, bastando para isso um breve treinamento transcultural;
  3. Aquele que recebe o “chamado” passa a ser visto como alguém muito especial, pois recebeu um chamado de Deus para a obra missionária.


O resultado disso é que a evangelização do mundo deixa de ser responsabilidade da igreja, como reino de sacerdotes, passando a uns poucos “especialmente vocacionados”. Destes poucos que são enviados, um grande número é de gente completamente despreparada. Ouvi, anos atrás, de um ex-muçulmano, líder da igreja no mundo islâmico, a seguinte frase: “Mais de 90% dos missionários que atuam em países islâmicos, fariam um grande favor à igreja do mundo muçulmano se voltassem aos seus países de origem, pois estão atrapalhando”. Isto não significa que não sejam santos ou sérios, mas que não estão aptos para este tipo de obra.

Creio que Deus pode chamar alguém de modo especial, mas esta é a exceção e não a regra. A regra é que a igreja planeje alcançar todo o mundo e, em jejum e oração, eleja homens segundo os critérios do Novo Testamento (At 13.1-3; 1Tm 3.1-7; Tt 1.5-9). Não se pode exigir de um homem enviado para estabelecer igrejas onde não existe ou existe em estado precário, menor qualificação do que se exige dos pastores que são estabelecidos na igreja local.

Entendemos, então, que a evangelização transcultural é uma tarefa ordinária, ou seja, deve constar da agenda da igreja como uma rotina. Nem todos serão enviados, mas todos devem estar comprometidos em oração e com o sustento. Não é a tarefa de um homem vocacionado, mas da igreja como Corpo de Cristo. É o Espírito Santo quem envia, mas é pela igreja que ele o faz (At 13.3,4; Rm 10.13-15; 1Co 9.3-10). Aleluia!

Se não houver uma metanóia (uma verdadeira mudança de mente) a igreja continuará tímida e remissa na liberação de obreiros e recursos para o trabalho em outras culturas e nações e os povos continuarão servindo ao diabo (1Co 12.2; Gl 4.8; Ef 2.11-13; 1 Ts 1.8-10; At 14.15; 15.3,4,12 etc). Mas não é esta a vontade de Deus: “Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo! Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como creram naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados? (Rm 10.12-15).

“Esforçando-me deste modo por pregar o Evangelho, não onde Cristo já fora anunciado... antes, como está escrito: hão de vê-lo aqueles que não tiveram notícia dele, e compreendê-lo os que nada tinham ouvido a seu respeito” (Rm 15.20,21).


“Então darei lábios puros aos povos, para que todos
invoquem o nome do Senhor, e o sirvam de comum acordo” Sf 3.9. Aleluia!

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